Elas estão chegando. Logo, logo, 50 ararinhas-azuis desembarcam no Brasil vindas da Alemanha, em um trabalho de conservação que já dura duas décadas, feito pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), organização não governamental Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP), da Alemanha, e diversos outros parceiros.

A espécie considerada extinta na natureza desde 2000, por conta da ação de caçadores e traficantes de animais, será repatriada agora em março e levada para o Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-azul, no Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, localizado no município de Curaçá, na Bahia.

A ararinha-azul é um pássaro exclusivo da caatinga do nordeste brasileiro, na região dos riachos Barra Grande e Melancia, no município de Curaçá, divisa entre Bahia e Pernambuco. O declínio populacional aconteceu por diversos fatores, mas a principal causa de sua extinção foi a caça e o comércio ilegal. A ave, que tem como característica as penas azuis, azuis-acinzentadas e verdes, é de baixa natalidade e, portanto, tem uma população reduzida. De dois ou três ovos, somente um filhote sobrevive. Hoje, apenas 180 aves existem em cativeiro, o que faz da Cyanopsitta spixii uma das aves mais raras do mundo.

“Toda a história da Ararinha começa por volta de 1980 quando se descobre os últimos animais na natureza, uma década antes da extinção”, destaca Ugo Vercillo, analista ambiental da Coordenação de Ações Integradas para Conservação de Espécies do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Inspirado na história do mico-leão dourado, várias organizações se organizaram para tocar o plano de reintrodução da ararinha-azul na natureza.”

Umas das ações do Plano de Ação Nacional da Conservação da Ararinha-azul (PAN Ararinha-azul) foi a criação, em 2018, da Área e Proteção Ambiental (APA) da Ararinha-Azul, de 90 mil hectares, e do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) da Ararinha-Azul, com cerca de 30 mil hectares, situados em Juazeiro e Curaçá, na Bahia. Nele, está o Centro de Reintrodução e Reprodução da Ararinha-azul, fruto de uma parceria entre a ACTP e a Fundação Pairi Daiza, que conta com clínica veterinária; recintos para aclimatação e reprodução; para interação entre as aves; e outro espaço, equipado com câmeras, para treinamento antes da soltura.

O governo brasileiro e seus parceiros internacionais trabalham para integrar a comunidade do pequeno município de Curaçá em todas as etapas do processo de reintrodução da espécie na natureza, desde os projetos de monitoramento e levantamento prévios que contaram com a participação de estudantes e voluntários da comunidade até a construção e operação do Centro. Isso ajuda a evitar que novos episódios de caça aconteçam no futuro.

Ararinha-azul: de volta para casa

História da Ararinha-Azul