O passo mais delicado da operação será justamente o momento em que as ararinhas criadas em cativeiro serão soltas. Dessa forma, é necessário o treino do animal para que ele possa sobreviver sozinho. O processo envolve a captura de aves Maracanã para formar grupos com as ararinhas-azuis para auxiliar na reintrodução da espécie no habitat.

“As maracanãs ainda vivem na região, são da mesma família da ararinha, e têm os mesmos hábitos, tanto alimentares quanto de dormitório. Elas vão ajudar as ararinhas a escolher os melhores locais para dormir, descansar, reproduzir e se alimentar”, explica Camile Lugarini, médica veterinária, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do ICMBio, e coordenadora do PAN.

A primeira soltura deve ocorrer ao longo do primeiro ano, após a adaptação das aves em um gigantesco recinto construído na caatinga. Como trata-se de uma ação inédita, não é possível prever o resultado, então todas as experiências de reintrodução envolvendo psitacídeos serão levadas em conta. A ideia, em um primeiro momento, é manter as ararinhas o mais próximo possível do local de soltura, em um espaço mais reservado e sem a interferência de pessoas. Assim, comedouros serão implantados e abastecidos diariamente para que as aves se acostumem à região até iniciarem o processo de migração.

Já o segundo grupo, formado por 20 indivíduos, só deverá ser solto seis meses depois do primeiro. Dessa vez, sem o auxílio das Maracanãs, para que as aves encontrem as ararinhas que já estiverem na natureza.

Para garantir o reestabelecimento da espécie na natureza, a equipe de especialistas do ICMBio vai ajudar no crescimento populacional das aves por meio de reprodução controlada. A terceira fase do cronograma de soltura já será com animais que nascerem no Centro de Reprodução até 2021. Além disso, um acordo com mantenedores da ararinha estabelece que todos os criadouros enviem ao refúgio em Curaçá 70% dos filhotes que nascerem anualmente.

“Isso até que a gente veja que a população está estável, se reproduzindo e que, de fato, não precise mais da ajuda do homem”, destaca o biólogo Ugo Vercillo.