A caatinga da fronteira entre Bahia e Pernambuco, em um ponto quente e árido, foi determinado com o lar das ararinhas-azuis após observação dos últimos três indivíduos selvagens que habitavam a área dos riachos Barra Grande/Melancia. Outras regiões, como Riacho da Vargem, Riacho Macureré, margem do Rio São Francisco na seca e Riacho da Brígida, também apresentaram vestígios de ocupação e também são reconhecidas como área de habitat.

Quanto à alimentação, as ararinhas-azuis seguiam à imprevisibilidade da caatinga. Segundo registros, as aves se alimentavam de pinhão (Jatropha mollissima), favela (Cnidoscolus phyllacanthus), juazeiro (Ziziphus joazeiro), baraúna (Schinopsis brasiliensis), imburana (Commiphora leptophloeos) e facheiro (Pilosocereus piauhiensis), além de enxerto (Phoradendron sp.), caraibeira (Tabebuia aurea), angico (Anadenanthera macrocarpa), umbu (Spondias tuberosa), unha-de-gato (Acacia paniculata), pau-de-colher (Maytenus rigida) e marizeiro (Geoffroea spinosa Pontual).

O processo de reprodução da espécie nunca pôde ser detalhadamente estudada. Os únicos relatos foram fornecidos por moradores locais e até mesmo traficantes de aves. “A espécie tem uma característica que é dela, a de não ser abundante. Nunca houve grupos muito grandes”, explica Ugo Vercillo. “A espécie sempre foi restrita à região com árvores caraibeiras da mata ciliar, onde faziam os ninhos, mas a reprodução na natureza não foi observada por especialistas.”

A estação reprodutiva das ararinhas-azuis, que coincide com a de maracanãs, na área dos riachos Barra Grande-Melancia dependia do início da estação chuvosa, entre novembro e março. Ninhos eram feitos em cavidades de árvores – caraibeira, muquém e mulungu –, com dois ou três ovos. Destes, somente um ou dois indivíduos chegavam à vida adulta. As aves mais velhas conhecidas são um macho, que viveu por 30 anos em um zoológico de Nápoles (Itália), e uma fêmea, em São Paulo, que chegou aos 32 anos.